segunda-feira, dezembro 12, 2005

O Jantar de Natal - C omo preencher os estômagos vazios?

Natal é uma época ótima para concessões culinárias - as pessoas esquecem as dietas, e iniciam um processo de degradação de seu sangue que, QED, é na verdade extremamente benéfico. Sim, benéficissíssimo como diria El Chavo.

Por que, ó céus, o leitor pergunta. Porque somos carentes de comidas decentes - ainda que elas tenham a chata tendência a engordar. Comemos coisas absurdamente ruins por aí, e aquele palhaço de calças listradas que balança a mãozinha para nossos filhos, ou o cara que tem aquela esfirra ótima da frente do nosso serviço. Sim. Eles são nossos assassinos diários. Não, não estou condenando o serviço deles. Só que não comemos mais em moderação. As pessoas estão esquecendo da velha arte culinária e começaram a desbarrancar pelo périplo da comida rápida nos últimos trinta anos, e veja o quanto nosso perfil mudou.

Ainda que façamos exercícios somos gordos. E, a solução para a gordura não é mais comer balanceadamente. Certas pessoas usam de artifícios para mim muito complexos, como o corte de parte do estômago (!), outros com uma bolsa de líquido inflada para ocupar o espaço destinado aos alimentos, e ainda outros cortando pedaços dos intestinos para absorver menos nutrição. Ora bolas. Isso me parece por demais drástico. Claro, as pessoas que fazem isso em geral tem obesidade mórbida - em geral. Outras não o tem. E os médicos evitam receitar cirurgias de emagrecimento para eles, ou melhor, cirurgias drásticas como as listadas acima, porque existe gente que faz lipoaspiração simplesmente a rodo. O que, aliás, também não é lá grandes coisas, porque o paciente se expõe a riscos, como o de tomar um choque anafilático tremendo e acabar morto numa clínica boca de porco no subúrbio.

Então os médicos receitam anfetaminas que cessam o efeito fome no paciente. Ponto. Simples, não? Você não tem fome. Não come. Olhe que definição bonita:

Analogs or derivatives of amphetamine. Many are sympathomimetic and central nervous system stimulators causing excitation, vasopression, bronchodilation, and to varying degrees, anorexia, analepsis, nasal decongestion, and some smooth muscle relaxation; these agents may be used for fatigue, narcolepsy, parkinsonism, hypotension, or appetite depression; since tolerance is quickly developed, they are potentially prone to abuse and psychic dependence.Fonte: http://cancerweb.ncl.ac.uk/cgi-bin/omd?query=amphetamines&action=Search+OMD

Você condiciona sua central neural a inibir o consumo de comida quando está com fome. São altamente "addictives", viciantes, ou seja, o camarada que quer emagrecer pode querer tomar o remédi para sempre. A tolerância (falta de efeito) é frequente e rápida. Veja, o camarada que toma isso vicia, e pode acabar tomando overdose de medicamento para emagrecer numa crise de desespero.

Então.

Não temos mais tempo para cozinhar. Esse é o criador daquele fato lá em cima (da esfirra) que eu mencionei. Veja, Eu sei cozinhar. Não cozinho sempre - mas evito não cozinhar. A minha alimentação passou por mudanças, e meus hábitos sedentários estão com os dias contados. Comecei por melhorar a comida, porque é ruim tirar a bunda da cadeira. Não estou gordo, embora segundo a Veja eu tenha o padrão de acumulação de comida ruim. Sim, ela se acumula na minha barriga, ou melhor abdome, e aparentemente essa gordura está relacionada em grande parte ao colesterol ruim. Ok, a revista Veja comete seus equívocos, mas há lá uma certa razão em preocupação.

Iniciei uma série de exercícios bacanas. Numa academia. Estou fazendo natação - para perder a barriga e aumentar o meu índice de colesterol bom. (me sinto estúpido chamando colesterol de bom, mas whatever). E, claro vou comer muito bem em casa no natal. Porque se eu resolver diminuir a quantidade de comida e comer algo mais simples, estarei cometendo um crime.

Há um pecado enorme em substituir manteiga por margarina.

Outro pecado enorme existe no fato de que não comemos mais carne suína, que é ótima para a sua saúde. O corpo precisa das gorduras - não o tempo todo, mas precisa. E carne suína também não é pecado.

Eu não farei ambos. E também não deixarei de abusar do azeite - azeite é uma coisa linda, amarelinha, melhor coisa que azeite talvez só o mel, mas mel é doce, e eu me refiro aos salgados. Doces são sempre pecados mais profundos à mesa, as pessoas se sentem culpadas, portanto doces são ótimos para recepções de senhoras de meia idade que querem controlar o peso, pois as expressões são impagáveis.

Ok. Ao cardápio.

Cordeiro, costeletas.
Peru, assado e recheado com a tradicional farofa de miúdos. E assado com bacon por cima, como tempero.
Legumes assados ao forno, ao molho de azeite de oliva.
Cogumelos (ah, shiitake) ao vinho.
Tabouleh, sim, tabouleh, com bastante hortelã.
Salada de folhas diversas, verdinhas, frescas, lindas, temperadas com azeite de oliva e vinagre de vinho tinto.
Batatas feitas com carne, desmanchando, deliciosas.
Arroz com pouco sal e um toque de alho de tempero.
E, claro, pudim de leite condensado da minha mãe, porque eu não quero fazê-lo e correr o risco de ficar ruim com tal cardápio prévio.
Tomaremos vinho, coca cola (light, porque a nova light é boa, por incrível que pareça) e talvez suco de limão, que é ótimo para ajudar na digestão. E fortalece o sistema imunológico.

Em suma: continuarei comendo. Comendo comida normal. Não pequenos concentrados de gordura saturada, que me convidam a um futuro de operado do estômago. Comerei sim, de tudo, moderadamente, e meu corpo conseguirá metabolizar tudo, e minhas sequências de exercícios favorecerão isso.

Natal é uma época linda. Só falta definir como será o Ano Novo.

Um comentário:

Anônimo disse...

água na boca.