Em todos os cantos, os enfeites, as árvores minuciosamente decoradas, os pisca-piscas (ou piscas-piscas, piscas-pisca, pisca-as-picas, sei lá), as estrelinhas cadentes, os bonequinhos rechonchudos de bochechas rosadas do Papai Noel, fazendo a lista de presentes, sentados na poltrona, praticando esqui ou até mesmo surf, os anjinhos tocando as trombetas do Apocalipse, os veadinhos bonitinhos e graciosos puxando trenós e... (São renas! RENAS bonitinhas e graciosas! Não viadinhos bonitinhos e graciosos! - me corrijam os mais afetados "com o espírito natalino").
Ok. Isso é uma tentativa patética de quê? (Sim, porque, a priori, tudo o que os homens fazem são tentativas patéticas que podem, ou não, geralmente não, dar em alguma coisa) Tentativa de estabelecer à força um espírito natalino, de bondade e camaradagem que se inicia, hoje em dia, graças aos shopping centers famintos de compradores-compulsivos, em meados do começo de novembro e expira no dia 26 de Dezembro? Capitalismo, certo? Até os adolescentes-encéfalos-anarquista-punks sabem que isso é coisa do maldito capitalismo, que a gente só não cria um feriado a cada três dias por que não têm tanto óleo de peroba assim na cara (ainda).
Mas sério, por quê os enfeites, os gorrinhos, "A Praga Vermelha-Verde" em todos os cantos? Pra quê? Não era mais fácil deixar de viadagem e a hipocrisia de lado, e simplesmente comprar as merdas dos presentes e trocá-los, sem muitas cerimônias, no dia 25? Ei, tá aqui o teu presente, toma. Até mais. Vou pra casa assistir TV e dormir agora, tchau. Sem abraços falsos, sem reunião de parente chato pra contar as histórias da sua infância, sem panetone ou comidas natalinas (que pra mim, além de darem um trabalhão para serem feitas, são todas horrorosas. Onde já se viu comer alguma coisa como peru com manga, maçã ou abacaxi?), nada de ter que esperar até meia-noite e assistir o morto-vivo do Papa (in memorian), equilibrado por uns oito coroinhas um em cada ângulo, rezando a missa do Galo. Qual é? Não é o aniversário de Jesus, não é bonito, não é legal, não serve pra nada... Cantam meia dúzia de músicas natalinas, ressucitam o John Lennon, chamam a Simone Éééntão é Natal!, e dão um programa especial pra Xuxa. E daí? Vêm a calhar o décimo terceiro, as cestas básicas natalinas e, claro, os presentes (que nem sempre são muito bons como, por exemplo, aquela blusinha de tricô azul bebê que eu ganhei da minha mãe), mas só...
Não sugiro que acabem com o Natal, ele é importante para a nossa economia, sabe? É preciso obrigar, até mesmo os mais pobres, a comprarem pra encher o bolso do país de dinheiro. É preciso fazer o pai se sentir culpado ao ver a cara do filho triste por não ter podido ganhar presente e, no ano que vem, fazê-lo gastar o dinheiro do aluguel para poder dar alguns mimos.
É preciso atochar o consumismo de bens supérfluos na cabecinha de nossas crianças, além de divertido pra elas, alguns adultos saem muuuito beneficiados com isso. O Natal é ótimo! É o sonho de uma noite de verão do american way of life. É o gozo dos publicitários e empresários do alto escalão. Não há como baní-lo. Não há. Mas sério, por quê os enfeites? Você se sente com vontade de comprar mais num shopping todo vermelho-verde e tocando "Jungle Balls" de fundo? A rua da sua casa é muito escura e perigosa e por isso você precisa gastar tanta eletricidade com centenas de lâmpadinhas? E é tudo descartável. Chega o dia 26 e a gente guarda os restos do Peru no microondas, desmonta e guarda a árvore no armário, as luzes são retiradas, os Papais-noéis, os viadinhos, a Simone, tudo, guardado no armário, e c´est finni, acabou-se a bondade e a camaradagem obrigatória, já podemos ser horríveis, mesquinhos, mal-humorados e andar na rua sem ter que esbanjar sorrisos, espalhar abraços e ter que mandar cartões aos seus entes "queridos", como sempre... Mas aí vem o ano novo...
quarta-feira, junho 15, 2005
Xmas suX
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Um comentário:
Como diria o carioca...
IRAAAAADO...
hahahahahah detonou detonou tudo.
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