Tenha medo de mim.
Tenha muito medo de mim.
Que eu sou, de longe, a pessoa mais cruel que você já conheceu.
Que eu já decepcionei e esmaguei amores de tantas pessoas que eu já perdi a conta.
Que eu te conto toda a verdade, justamente quando você precisava de um pouquinho de mentira.
Porque Ignotio Salvatti.
E eu sou honesta, cruelmente honesta.
Que minha educação não me impede de dizer que eu não gostei do que você fez.
Que eu não consigo mentir sobre as coisas que eu sinto.
Que eu sou fiel aos meus sentimentos
e que ser fiel a uma coisa, é ser infiel a todo o resto.
Que só os sentimentos são irremediavelmente verdadeiros.
Que eu sou verdadeira.
Que eu sinto, logo existo.
Que eu nem sou tão cruel assim, porque eu me sinto envergonhada.
Que eu peço desculpas pelas minhas verdades.
Que eu não queria te fazer mal.
Eu sinto.
Sinto muito.
E me sinto só também.
Que solidão é quase palpável de verdadeira.
Que, assim como eu, a solidão também não é educada ou gentil.
E eu sinto.
Sinto Muito.
E então, eu peço:
Não tenha medo de mim.
Não tenha muito medo de mim...
quinta-feira, novembro 17, 2005
Crueldade
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2 comentários:
Solidão é sim, uma droga... uma grandiosíssima porcaria. Mas ela é necessária. Não acho que devamos nos escravizar a ela (como infelizmente eu tenho feito) mas às vezes é interessante...
Bacana o texto
Interessante...
ou cômodo?
Tenho medo do comodismo.
E o medo também é uma droga...
Obrigada :)
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