_Shhhhh. Vem cá. Olha só. Deixeu te mostrá
_Quê foi? Quê cê tem aí?
_Chega mais. Vem aqui de trás, ó:
(Puxa do bolso, desembrulha a camisa que cobre o trabuco.)
_Quê isso, mermão? Cê tá doido? Onde cê arranjô isso?
_Fala baixo, mané. Num vou te matar, não . Eu sei o queu tô fazendo.
_Quê cê vai fazê com isso, cara? E se te pegam? Cê tá doido?
_Num pegam é nada. Ele num pode fazê o que fez, sem levá de volta, não...
_Qualé, cumpadi, deixa disso, já foi. Faz tempo.
_Já foi, o caralho. Ele vai vê só.
_Sossega, rapaiz. Vai acabá com a sua vida! Joga isso fora, meu!
_Cabá, já cabô faz tempo... Cabô minha paciência, minha cara de palhaço, estourô limite. Quem ele pensa que é?
_Mano, esquece. Tá vacilando. Vai arranjá treta pro teu lado. Num faiz isso, que cê se fode...
_Fudido eu já fui, gora é minha veiz.
_Num acredito que cê vai ter coragem. Cê tá maluco...
_Ele num teve coragem de fazê o que fez? Pois eu faço também. E faço agora!
Saiu de trás do muro, violento, cabreiro, que nem trem.
Foi pro meio da rua, gritou o nome dele, mirou, e deu três tiros no céu, na maior nuvem que viu .
domingo, outubro 23, 2005
Vingança
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2 comentários:
É, é assim mesmo... culpar os céus é mais simples. Out.
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