Noite fria. A água tamborila incessantemente nas janelas, dizendo que é culpa minha se eu não tenho um cobertor a mais. Claro, eu tenho um cobertor a mais. Para mim. É devastador começar a pensar nas pessoas que não tem um cobertor sequer e que acabam correndo risco de vida nesta noite fria. Não, não tenciono sair lá fora para ajudar - sou mais egoísta que isso, tenho formação em Business (ha ha) e isso me torna um pouco... insensível no curto prazo, por assim dizer. No entanto, no longo prazo (que é onde realmente importa) eu fico pensando que tipo de plano meu pode estar beneficiando aqueles que congelam. Não tenho pretensão de ser herói, veja bem, tenho pretensão de ajudar, ainda que com planos falhos, estratégias medíocres e alguma dose essencial de iluminação divina para que todos os meus erros não levem essa iniciativa por água abaixo. Hoje eu tento salvar empresas, talvez um dia eu consiga salvar pessoas. Já estou salvando pessoas, de certa forma, mas pessoas que não precisam tanto ser salvas, pois elas tem empregos ameaçados, não um céu estrelado sobre as cabeças e um vento cortante para atrapalhar seu sono. Poucos dormem na rua por opção - talvez eu esteja errado. Talvez, talvez se a opção foi dormir na rua de forma humilhante porque não conseguiram, um dia, melhorar o suficiente as engrenagens sociais das empresas para que elas mantivessem seus funcionários com maior apoio psicológico, moral, salarial. Sim, apoio pecuniário é bom, e eu gosto. Embora pareça o único apelo existente, a maioria das pessoas se vê bem feliz com outras coisas que não isso. Por exemplo um local de trabalho com um histórico de clima leve. Uma compania agradável. Uma vista da janela que retrata o verdadeiro país do verão em nossas mentes. O chefe companheiro, que por mais que as coisas estejam difíceis se controla, não perde a cabeça, não manda todos para as putas que os pariram. Educação é fundamental, my dear, e discreption is the better part of valour, ou qualquer coisa assim, minha escrita deve estar errada mesmo. Ao invés de se dizer que é a vontade de deus que alguns passem frio, talvez devessemos estar mais engajados em fazer a única existência comprovada (I think, therefore I am, even though I'm not smart really he he) ou seja, nossas vidas atuais, mais suportáveis suportando essas causas, como a do frio. E o pior é que, examinando cuidadosamente minha consciência chego à conclusão que sou negligente. Não que negligência seja um crime punido por lei nesse caso - haveria de ser presa metade da população por causa de negligência, se levarmos em consideração então os casos de violência não reportados por negligência das únicas testemunhas teríamos que matarnos todos. Morte? Opa. Calma. Prender-nos todos. Ok. Reeducação em uma entidade especializada nisso. Uma escola? Talvez. Mas por favor, que não sejam franciscanos.
terça-feira, setembro 13, 2005
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2 comentários:
Uhu!!!
Arrasou, menino!
Dessa vez gostei mesmo.
Beijo.
erm... xcuse me? :p
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