Os dias verdes acabam. Algum dia. Sempre. Em todo o lugar, cada um a seu tempo, cada pessoa com seu dia, ou seus dias, caso seja uma pessoa de fortuna avantajada em relação aos demais mortais, que não tem o dia na feira da cidade, para se divertir. As premonições vem e vão, e estão mais centradas em acontecimentos que virão por consequências dos fatos acontecidos no passado recente que por poderes mediúnicos, e estas premonições que giram giram em nossas cabeças (em minha cabeça) tal qual um ioio vermelho, que se escapa do fio e logo é substituído por outro por algum tipo de pai generoso, ou mesmo, por algum pai despreocupado que simplesmente larga o ioio na mão do filho para seu sossego ou simplesmente para não ouvir os choros de pânico porque a sua distração - ou premonição - se foi e: Surtiu efeito previsto, não surtiu efeito previsto ou simplesmente foi entendida parcialmente e se torna impossível aderir as idéias restantes em um grupo coerente, ou seja, elas voam qual gaivotas à beira do mar, todas de forma semelhante, mas em um caos profundo, especialmente quando em busca de alimentos - nossa sanidade.
Os dias verdes acabam, as gaivotas continuam ao sabor do vento, comendo as sobras de peixe que os pescadores destinam ao mar, ou melhor à areia, e embora em alguns momentos existam ilhas de felicidade aguardando em nosso caminho, nosso destino é penar para chegar momentâneamente a tais lugares, termos um sucedâneo de felicidade, sobrepujarmos nossa própria satisfação em instantes e re (separadíssimo porque é uma coisa que acontece em circulos viciosos) iniciarmos o processo de sofrimento, que nunca acaba, que nunca leva a lugar algum, e só deixa marcas.
Em minha mente o dia de amanhã (talvez quando eu publique esse texto já seja hoje, mas agora ainda é o ontem de amanhã, embora isso seja estúpido de se dizer e provavelmente não faça sentido) é um dos dias marcantes do passado - felicidade, dor sem limites, esquecimento, lembranças, fogo, ar, água, terra, tudo levado aos extremos, tudo, todos os pensamentos possíveis, todo o foco dispensado (ainda) com aqueles acontecimentos, com aquela pessoa que, embora eu duvide, talvez leia esse texto e me chame de insignificante, ou mesmo faça uma cara de superioridade falsa mas bastante usada por ela mesma, como quem ignora ou pelo menos preferiria ter ignorado o conteúdo (em certos casos por estar longe do alcance do seu conhecimento presente)embora isso também não importe, não importa mais. Importa. Mas não oficialmente, é tudo extra oficial, como na política, eu aqui me escondendo numa fachada (talvez com a grafia errada) de sensatez e equilíbrio embora eu não passe de um celerado encostado à quina da sala triangular do tempo, esperando que meu conjunto corpo/mente/alma se recupere pra conseguir andar, ou melhor, vagar ao sabor da maré. Meu corpo já se recuperou, a mente está melhor (como se eu tivesse recebido um upgrade ou update) mas a alma é difícil de consertar (talvez você deva estar se imaginando, ele está pensando e música ou em arrumar alguma coisa, eu sou péssimo em gramática, dane-se) e todo o cuidado que se dispensa à ela em um ano inteiro é insuficiente se no dia vinte e seis de outubro você acaba batendo nas rochas do seu limite, lembrando-se do que não deve (mais uma vez, porque existem outras datas marcantes) e o tecido frágil do seu whole self se esfacela em frente a seus olhos, ou seus sentidos.
Apesar disso, você ainda tem uma gravata, e deve ter lembranças, mas para você é muito mais simples, a vida é uma aventura, um combate entre os que estão contigo e os que não; ou melhor, entre os que estão certos como você e os que não; e talvez ainda entre os que se esforçam pelo teu bem e os que não, embora isso me soe incongruente, incompatível com o caminho tomado (sim, existe heterocedasticidade, ou talvez não, somente seja uma correlação não compatível com a teoria econômica). Eu, de minha parte, desejaria que você se corroesse de remorços um dia. Mas sou insensato, prefiro que você me esqueça e devolva os pedaços que ficaram contigo. Ou, Feed the cut, and get in the line. Ou seja, embate direto - coisa prazerosa que nos foi retirado, o direito de combater diretamente o inimigo, olho no olho. Eu não me importaria que és fêmea, desde que fosse tua vontade, a única que eu admito realizar (hoje, ou sempre, ou talvez, porque um dia posso mudar de idéia, sou volátil qual perfume, sou resiliente qual a quimera, e desapareço qual o unicórnio, se isso me convir) e realizaria de forma rápida e indolor se assim necessário, ou lenta e pelo cansaço, espadas chocando, socos, golpes rápidos até a exaustão, e ao final um momento de glória quando desistires, meu antigo amor, e morreres ao invés de mim, ou melhor, no lugar do que sobrou nessa carcaça em que eu já fui inteiro. Mas não te chamarei de amor, porque não mais ama aquele que morreu - o amor é até que a morte vos separe, (sic) e agora nem isso mais é válido, porque virei pagão. Em lugar disso, te chamarei de meretriz, cadela, vagabunda, iracunda, pulsilânime, maldita, desgraçada, vergonheira, covarde, cruel, moribunda, necromante, caçadora de homens, carcomida, quimera, dragão, canhão, desgraça, maldição e herege, e ao final desse perjúrio justo, justíssimo, darei cabo a ti, e com isso outro pedaço de mim se apagará, e eu seguirei menos eu, e sem ter para quem planejar vingança.
Agora, escrito e declarado, sei que não o farei, embora mereças.
Sou impotente, completamente, cegamente.
domingo, setembro 25, 2005
Memories of Green - Are the green days over?
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2 comentários:
As vezes fazemos besteiras, né?! MAs como é que ficamos sabendo se são besteiras sem antes ter tentado? E as vezes issonos causa bastante dor, feridas que infelizmente só o tempo podecurar!! Mas depende de vc também!! Euseicomo é dificilrecomeçar, mas tudo começa com o primeiro passo, tente, vc vai ver que depois do primeiro é bem mais facil dar o 2º!! Vc é capaz!!Se cuida!! E se precisar estamos ai!! Beijos
Comentário impessoal:
Sua escrita está melhorando, muito.
Comentário pessoal:
Doeu, assim como algo que queima no estômago... dá tonturas e vontade de se trancar no banheiro.
Mas é uma forma de expurgar, não é?
Fique bem, é um pedido.
Fica bem, praticamente uma ordem.
(Putaquelaspitombas, meu caro, às vezes odeio a minha intuição...
rezo pra que ela esteja errada...
dessa vez.)
Beijo e um abraço.
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