Estive conversando com amigas num almoço, na terça feira. Foi interessante, embora eu tenha me sentido assaltado, sobrecarregado e alvo de revelações religiosas. É estranho, leitor, que eu me sinta assim. A essa altura do campeonato já devia ter me acostumado - somos uma raça de fanáticos. Não que as moças que tiveram a conversa comigo sejam fanáticas, mas elas foram educadas por fanáticos, que vêem na revelação da fé delas um ramo de negócio secular, talvez mais antigo que a tão falada mais antiga das profissões.
Não que eu seja partidário da antiga profissão, as moças (e moços) que se prestam a favores íntimos tem lá seu valor social, ainda que eu os abomine. São bonobos, sim, tal qual bonobos que em seu serviço de copular/ser copulado acabam por acalmar os ânimos da espécie. Continua sendo estúpido, porque prazer que é prazer é gratuito, e leva uma dose necessária de amor, assim, um cheiro, uma gotinha, ou 1/2 a pinch, como eu acredito que diria um inglês (eu acredito, não tenho certeza). Mas como há gente que não acredita em amor, nem em paixão, ou gente que se sente suja demais para amar essas pessoas tem lá seu papel. Bem, pra variar estou me distraindo. Whatever.
Religiosamente eu fui um fiasco até os idos de 2003/4, quando descobri no paganismo uma solução para meus anseios religiosos. Não, não quero que você seja pagão. Eu quero ser exclusivo. Fique aí, vá na evangélica, no espírita, na batista, em qualquer uma. Eu quero e sou especial, é uma forma de eu me destacar e chamar atenção bastante útil, e que além disso me trouxe resultados concretos. Me trouxe o que todo mundo falava mas eu nunca tive antes - a epifania da fé. Sim. Não, não houve livro que me fizesse crer em Deus. Mesmo os livros de wicca que eu leio volta e meia - hehe, sim, Lady Sabrina, por mais estranho que isso pareça para alguém como eu. Bom, não parei de ler ficção científica, e isso já é um alento. Livros são feitos por homens. Inspiração divina? Duvido. Pelo menos no que temos agora como livro sagrado das multidões.
Maomé escreveu o seu. Veja, nada contra o islamismo - eu tenho um amigo islâmico adorável, que tem os mesmos preconceitos que vocês que lêem isso aqui e falam "nossa o cara é amigo de gente dessa laia" mas que é tolerante ao extremo, e mesmo que não fosse, é uma excelente pessoa, presta serviço voluntário na ONU. Bom o ponto é que Maomé diz que não se deve ser intolerante num capítulo, versículo, não sei qual o nome correto (me informe, por favor) e mesmo que eu soubesse a denominação Urdu que meu amigo daria a isso eu não conseguiria traduzir própriamente, ops, intolerancia, certo, ele diz não à intolerância num capítulo e diz fio da espada para os que não cumprem a palavra de Deus, como se ele fosse capataz de Deus ou coisa do tipo, ou tivesse uma força maior que nós outros humanos para impelir sua vidinha de anjo vingador. Ele pode muito bem ter tido uma energia a mais, ter sido mais valoroso, melhor que nós meros mortais que jamais nos imortalizaremos com uma nova religião, livro ou mesmo nos martirizando, mas acho que no esquema total das coisas só se Maomé realmente conseguisse mover as montanhas e acabar com os abismos espaciais ele seria melhor que eu, Homo Sapiens, evoluído do macaco e senhor de uns 2% da minha consciência e existência.
Jesus também. Cara muito poderoso. Se ele realmente existiu e não é fruto de um invencionismo acumulado por lendas e pela Bíblia ou se ele fez o que foi dito que fez (o que pode ter acontecido com Maomé, Ayrton Senna, Getúlio Vargas, Lady Diana entre outros, que os céus os tenham) não saberemos. Mas tomando como premissa que Jesus é uma pessoa, e um fazedor de milagres, e filho de Deus (sinto-me tão herege falando isso) ele não fez lá mais que sua obrigação (haha) em ser imortalizado. Veja, ele pegou uma miríade de livros (60 autores, como minha tão querida amiga me lembrou no almoço que eu mencionei lá em cima, embora eu acredite que sejam 59)juntou e formou um livro. Minto. Não foi ele. Foi João, ou Pedro, ou Lucas, ou mesmo o outro evangelista... quem é mesmo? Marcos? Provavelmente. Vejamos. Eles pegaram livros que formavam o velho testamento, escritos milênios antes, cartas, e coisas que corroboravam com suas crenças (não se pode culpá-los, seria um erro crasso de marketing colocar uma antítese no texto selecionado, ainda que eu acredite piamente que elas existam (as antíteses) e que algum dia o ser humano há de acreditar nos Deuses ou em Deus por Deus e pronto)colocaram tudo numa embalagem bonita com as orações (salmos) que se faziam na época, um capítulo introdutório, um capítulo rescindindo o contrato de Deus e da proteção divina na terra, uma história muito bem contada com quatro pontos de vista (engula essa Tolkien! a sua tinha só dois) por quatro fundadores da igreja católica. Melhor, por quatro padres da igreja católica. Ok. Esse livro dá às pessoas um manual completo de como viver a vida. Em 1000 páginas, ou mais ou menos dependendo do formato, você tem um shake and bake your life kit. Parece ótimo, não? Mas não é. Veja, o Guia do Mochileiro das Galáxias (sim) é uma versão bem mais resumida da enciclopédia galática na fábula, mas ainda assim é incompleto. E olha que o Guia é atualizado anualmente por miríades de alienígenas humanóides e não humanóides. Onde estão as atualizações da bíblia?
Não consigo retirar esse meu argumento. As meninas (1 e 2) me disseram repetidas vezes que a bíblia continua igual ao original. Não continua. Não me venha com churumelas. Seria ótimo para qualquer bispo alterar o conteúdo da bíblia, que é católica e não evangélica nem original; ela passou por tantas mãos que a recopiavam de pergaminho a pergaminho enfeitando isso, arrumando frases que corroboravam com as teorias do próprio autor que os verdadeiros estudiosos de bíblia (arqueólogos, please, hands up) devem ter sérias dores de cabeça quando lêem as versões em sânscrito, latim e depois em italiano (sim sim, Roma, a capital de 1/4 das dores de cabeça do mundo atual) e depois em diversas línguas, profanas ou não, todas com suas alterações de estilo, o mesmo número de livros exceto para a igreja crente que não considera alguns pregadores entre os bam bam bams da bíblia católica romana. E que, claro, também acabaram (em eliminando esses livros) adaptando-a para seu ponto de vista. A biblia é um livro, como outro qualquer. Edita-se um livro para que ele estabeleça o formato ideal. Ponto. Minha opinião.
Bom, Jesus. Jesus, pregador e tals. Milagroso. Mas não escreveu nada por ele mesmo. Estranho. Ok. Então a bíblia é o único relato. Único, inestimável para avaliar a humanidade pelo que ela é. Graças a elas, e à adminstração única da ICRomana, conseguimos as cruzadas, que se tornaram responsáveis pela idade das sombras; visto que os povos do oriente médio eram avançadíssimos em relação aos europeus quanto à matemática, física, química, medicina, mas foram suprimidos, considerados bruxos, impuros, infiéis malditos que roubaram a casa de nosso senhor, e precisavam ser mortos para que Jerusalém fosse retomada. Good luck, cruzaders. God bless you.
Não fossem os livros santos, não fosse a intolerância e a supremacia pregada do seu deus, povo, não teríamos terrorismo. Não teríamos doenças venéreas escondidas porque o pareceiro sexual teve que ir ao puteiro porque a esposa é recatada demais, ou de menos e fez o mesmo que ele teria feito em condição contrária; não teríamos o desespero de ir para o céu ao invés do inferno (que criador de bosta teríamos se ele só tivesse vindo para nos punir em caso de falha, e premiar em caso de acerto, e no caso acerto seria ser bom e caridoso - bah - e o errado seria transar com camisinha) nem a culpa secreta por não termos rezado o suficiente para conseguir aquele emprego (como se talvez não fosse mais grave não termos escovado os dentes durante um ano inteiro e chegarmos à entrevista com halitose) ou até os pensamentos "impuros" quando estamos no culto, rindo por dentro, falando da roupa alheia, do cabelo desgrenhado, do cheiro das pessoas, da falta de vergonha do fulano ou ciclano. Sim, sim, a igreja, que antes eu considerava um bálsamo para as feridas sociais transformou-se em minha opinião na ferida, purulenta, que fomenta o fedor de infecção que vemos por aí.
Repartilharemos nossos bens, ainda que seja à força. Repartilharemos nosso tempo, ainda que seja na prisão. Repartilharemos nossa alma, mesmo que seja ao diabo.
Sou feliz por ser pagão. Mesmo que isso não signifique muita coisa. Sou cético demais para crer livremente, ou religioso demais para acreditar nas igrejas que estão por aí.
*** Aviso ***
As opiniões aqui refletidas não são comuns aos três indivíduos que administram esse blog. O post é único e exclusivamente Iriduriano. Se você chegou até aqui e está ofendido, comente, mas seja educado, e tente usar um argumento. Se você concordou, também. Se você quer me matar, esfaquear ou me jogar no óleo quente enquanto o seu cachorro aguarda com a boca salivando a minha carne, tudo bem. Mas comente.
quarta-feira, agosto 31, 2005
É Deus de novo...
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5 comentários:
Apesar de alguns erros (perdoáveis) de português, você escreveu muitas coisas que eu tomei como verdades, MINHAS VERDADES, aquela história de céu e inferno é ótima, acho impossível acreditar nisso aí. Quem toma a bíblia como um livro original, a verdade absoluta, está cometendo um equivoco.
Pra começar, é só analisar os dois primeiros capítulos do gênesis, é a mesma história, contada de maneira diferente... e a igreja juntou tudo e diz que é uma história só, uma continuação.
Os caras passam séculos reescrevendo e reinterpretando até a versão definitiva e tem gente que acha que Deus 'baixou' em alguém e escreveu tudo sozinho... isso é um absurdo...
É isso, vc tem a essência da coisa.
Ah, sem esquecer: eu tb devo ter erros gramaticais, e vc fez direitinho a lição de casa... hahaha...
Gostei do comentário da Camila sobre a Bíblia e o pior que é verdade sim. Pra vc ter uma idéia nas paróquias existe um curso que não me recordo do nome, para poder traduzir a linguagem da bíblia para uma mais fácil.Fui educada acreditando em céu e inferno que se não se comportasse iria para o inferno... Acredito que o inferno é o que estamos vivendo. Mas acho que para ter um mundo melhor devemos acima de tudo respeitar o próximo,já é meio caminho andado.Acho que ninguem é completamente pagão,pois pagão nãoacredita em nada e isso é impossível. O ser humano precisa acreditar em alguma coisa!!
Espero que daqui a alguns anos vc releia isso...
Só.
E sorria, porque percorreu uma trajetória que trouxe experiências válidas.
Bjo
Povo que respondeu:
Muito obrigado. Ateus, católicos ou de qualquer religião, valeu mesmo. Mandei esse link pra todo mundo na minha lista do orkut, e somente vocês responderam. Claro, eu forcei bem a barra, e admito que meus pontos de vista são incômodos.
Minha amiga Michele não conseguiu, por algum problema de servidor provavelmente, deixar recado aqui mas o fez em meu orkut. Ela me chamou de herege, mas eu sei que sou, então agradeço a ela também.
Lena, não sei, talvez fosse legal mesmo mudar de idéia. Mas não acredito que isso vá acontecer, pelo menos não nesse ponto. Eu tenho o direito de ser tão flexível quanto as pessoas o são comigo, certo?
Cammy, valeu pela inspiração. Às suas ordens.
S Wind, o universo paralelo precisa de um presidente melhor, não acha?
Anonima Manu, Como sempre conversaremos mais via msn.
Agradeço a todos!
Como voce mesmo cita, nossa aplicacao de apenas 2% de nossa capacidade cerebral nos impede de compreender muita coisa. E, para pessoas como eu e voce, que tem um anseio por saber TUDO, entender TUDO e explicar TUDO, é muito dificil nos render e assumir como somos incapazes de achar explicacao. É mais facil negar e procurar explicacoes em algo que se adapte ao nosso pensamento pequeno e pre-determinado do que assumir nossa dependencia e limitacao.
Queridinho, nao deixe que teu orgulho te cegue...
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